domingo, 4 de novembro de 2012

A última vez

Imagine uma garota de 14 anos que não sabia absolutamente nada sobre a vida. Ela nunca tinha amado ninguém, consequentemente nunca tinha sofrido por ninguém. A única coisa que ela levava em sua bagagem de vida era a lembrança de amizades verdadeiras que tinha deixado pra trás, ou seja, saudades.

Ela sentia saudades, pois havia deixado suas raízes e estava em outro lugar onde tudo era estranho: pessoas diferentes, modos diferentes, enfim, uma vida diferente lhe aguardava.
E com toda a sua timidez e uma imensa vontade de ser invisível, ela enfrentou a nova barreira de sua vida: ser novata na escola. Ela se preocupou, teve até pesadelos com isso, achou que seria horrível, mas não foi. No começo, tudo parecia dar muito certo, simpatizou com as pessoas, fez novos amigos e, se apaixonou pela primeira vez – e última vez.

A tal da garota foi se apaixonando cada dia mais pelo seu príncipe – sapo –, e cada vez mais ia fazendo planos para se aproximar dele. O tempo foi passando e ele passou a ser parte da vida dela, tudo o que ela imaginava o incluía, principalmente os planos do futuro.
E foi assim durante anos, amando em silêncio, tentando demonstrar, mas fracassando.
Até que um dia, a tal da garota foi percebendo os defeitos do seu príncipe e, aos poucos, sua paixão foi se perdendo... perdendo... às vezes voltava... às vezes se perdia novamente... Até que ele a decepcionou. Fim? Sim.

A tal da garotinha demorou meses para esquecê-lo de vez, mas esqueceu. E outros “amores” foram aparecendo – entre aspas, porque não se pode chamar nenhum outro deles de amor. A verdade é que ela nunca mais amou ninguém. Ela já gostou de vários outros, mas foi coisa passageira. Já não envolvia fortes aceleramentos de coração nem frio por dentro, era só um gostar bobo mesmo, paquerar. Pra se sentir viva.
A tal da garotinha nunca mais amou ninguém, e hoje se pergunta se um dia vai conseguir amar de novo. E qual o motivo de eu afirmar isso com tanta certeza? É simples, a tal da garotinha sou eu.

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